Destaque
Técnica reduz risco ao coração.
22/10/2008
Método inédito no Ceará diminui o tamanho do corte para 4cm, além do tempo de cicatrização e a manipulação do órgão.
O Hospital São Mateus realizou ontem a primeira cirurgia cardíaca por videotoracoscopia em um homem de 40 anos.

Outro paciente, 45 anos, foi operado pela mesma técnica na última segunda-feira, no Hospital de Messejana. Os dois pacientes passam bem. O Ceará é o primeiro Estado nordestino a aplicar esta tecnologia em cirurgias de coração.

A cirurgia cardíaca por videotoracoscopia foi importada dos Estados Unidos e da Europa, países que adotam a técnica desde 1996. No Ceará, o método inovador foi trazido pelo cirurgião cardiovascular Josué de Castro Neto. Ele acaba de firmar uma parceria com o Hospital Hans Dieter Schmidt de Joinville - pioneiro no País -e pretende tornar o Hospital São Mateus um centro de referência nesta nova técnica.

(Foto: Divulgação) - Pioneirismo: Hospital São Mateus realizou, ontem, a primeira cirurgia cardíaca por videotoracoscopia.
O cirurgião cearense garante que esse tipo de cirurgia minimamente invasiva é uma tendência porque gera menos riscos e evita hemorragias, inflamações e dores muito fortes. “O tempo de internação diminui de dez para sete dias. Cinco dias depois, o paciente já pode dirigir e voltar ao trabalho. Nas cirurgias tradicionais, o paciente leva cerca de 45 dias para voltar a dirigir”, compara o cirurgião Josué Neto. Segundo ele, a operação consiste basicamente em uma incisão no lado direito do tórax. Equipamentos como tesouras ou pinças especiais para essa cirurgia entram no espaço entre as costelas. “Nas cirurgias tradicionais, o corte é de 25 centímetros, já com a técnica de videotoracoscopia a incisão é de quatro a seis centímetros, no máximo”, destaca.

Em outro pequeno orifício, aberto abaixo da axila direita, é introduzida a câmera. Assim como na cirurgia tradicional, explica o médico, o coração é parado durante a operação, e a circulação sangüínea funciona por meio de uma máquina coração-pulmão. Nova tecnologia
De acordo ele, a nova técnica é indicada para curar problemas de válvulas, arritmias e algumas doenças que a pessoa porta desde o nascimento, como comunicações interatriais. Ele diz que os resultados das operações são muito bons e que, em alguns casos, é possível fazer incisão ao redor do mamilo, com técnica semelhante à da cirurgia para implante de silicone, propiciando um resultado mais estético. “Esta é uma grande vantagem para o paciente, principalmente para as mulheres”, salienta. Apesar dos benefícios, a nova tecnologia de cirurgia do coração requer investimentos em aparelhos e medicamentos, hoje importados por não serem fabricados no País.

O cirurgião Josué de Castro Neto admite que o investimento é alto, o que encarece o valor da operação. A cirurgia cardíaca por videotoracoscopia não pode ser aplicada em todos os casos. Segundo o cirurgião, pessoas com outras lesões como aneurisma da aorta, por exemplo, não devem fazê-la. Já quem tem problemas vasculares periféricos deve passar por uma seleção criteriosa, pois a máquina coração-pulmão é conectada ao corpo pela virilha. Na visão do cirurgião cearense, a nova tecnologia deve ter um crescimento progressivo nos próximos meses. Auxiliaram Josué de Castro Neto nas duas cirurgias, o cirurgião Robinson Poffo, do Hospital Hans Dieter Schmidt de Joinville, os anestesiologistas Cibele Garcia e Ricardo Barreira e os assistentes Aluísio Sales, José Rosélio e Francisco Neto. Técnica Ao contrário da cirurgia do coração, a videolaparoscopia é uma técnica mais conhecida, sendo aplicada em praticamente todas as operações do aparelho digestivo. Metade das operações de vesícula feitas no País hoje, segundo destaca o médico, é por videolaparoscopia.
Ler outras notícias
Diretor Técnico
José Gonçalves Moreira Filho
CRM 6879-CE