Dicas de saúde
 Especialistas discutem sobre morte súbita no São Mateus
08/06/2010
Problema já se tornou caso de saúde pública e costuma chamar atenção por acometer indivíduos considerados saudáveis

A morte súbita cardíaca é definida como um óbito inesperado causado pela presença de arritmias que ocorrem em indivíduos, até então, assintomáticos. No Brasil, dados do Ministério da Saúde, relativos a 2005, mostram que a mortalidade cardiovascular foi de 283.927 indivíduos, com estimativa de aproximadamente 50% dos casos em decorrência de morte súbita, atualmente considerada um dos maiores problemas de saúde pública do mundo, com incidência anual de um a dois casos para cada 100 mil habitantes.

O assunto foi discutido, ontem, durante mais uma Reunião Científica Multidisciplinar promovida pelo Hospital São Mateus. Segundo o cardiologista Evilásio Leobino, os registros de morte súbita têm se tornado cada vez mais comuns e chamam atenção porque geralmente atingem pessoas tidas como saudáveis e em idade produtiva. "Daí a importância da escolha do tema", ressaltou ele. "Casos de morte súbita sempre existiram, mas, antes, a medicina não era tão avançada a ponto de identificá-los. Hoje, temos condições até de reconhecer antecipadamente a presença da doença".

O diagnóstico precoce de problemas cardíacos, aliás, é avaliado por especialistas como essencial no sentido de evitar a morte súbita. Conforme a cardiologista Carla Leobino, a detecção é feita por meio de exames periódicos, como eletrocardiogramas, testes ergométricos e estudos eletrofisiológicos invasivos. "Um exame feito hoje pode apresentar normalidade, mas outro feito dias depois pode apontar alguma alteração cardíaca. Por isso, é essencial o acompanhamento especializado periódico", explicou a médica.

Sintomas

Os sintomas mais comuns são as palpitações, tonturas e falta de ar. Podem ocorrer também síncopes (desmaios) caracterizadas pela perda repentina e transitória da consciência com recuperação imediata e espontânea da mesma. Entretanto, em mais da metade dos casos, a parada cardíaca súbita ocorre sem sintomas prévios.

Feito o diagnóstico do problema, a morte súbita pode ser evitada, eventualmente, com o emprego de alguns tipos de medicamentos, revascularização do miocárdio, ablação por cateter e, principalmente, com o implante de dispositivos automáticos de alta tecnologia semelhantes ao marcapasso, mas que tratam a arritmia por meio da aplicação de pequenos choques, chamados de cardiodesfibriladores implantáveis.

"Mesmo em casos de parada cardíaca súbita, é possível reanimar o paciente (o que se costuma chamar de morte súbita abortada), desde que o atendimento seja rápido", destacou Carla. "Dessa forma, seria de grande utilidade a presença de desfibriladores portáteis em locais de grande circulação de pessoas, como shopping centers e agências bancárias".

De acordo com o coordenador do Serviço de Cardiologia do São Mateus, Cláudio Falcão, as reuniões científicas realizadas pelo hospital visam promover discussões e estudos com o corpo clínico da unidade, tendo o objetivo de propiciar a atualização de temas relevantes nesse ramo da Medicina. As reuniões possibilitam, ainda, o acompanhamento de registros, ou seja, banco de dados de atendimentos feitos no hospital.

Os encontros ocorrem na primeira segunda-feira do mês e são abertos a profissionais de áreas afins, membros da Sociedade Cearense de Cardiologia e estudantes da Universidade de Fortaleza (Unifor) e da Universidade Federal do Ceará (UFC). Os debates são conduzidos em torno de casos reais recebidos pelo próprio hospital. "Assim, podemos trocar experiências e aprimorar ainda mais os serviços prestados pelo hospital, que já é considerado uma referência, no Estado, em diagnóstico e tratamento de doenças cardíacas", acrescentou.

Ler outras dicas
Diretor Técnico
José Gonçalves Moreira Filho
CRM 6879-CE